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Baru: o viagra do Cerrado

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[information]Atualização do texto publicado em 24 de maio de 2012, ás 15 horas e 49 minutos.[/information]

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O baru é nativo da vegetação do cerrado brasileiro, proveniente do “baruzeiro”, sua árvore chega a atingir 25m de altura. Análises realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostram que a castanha do baru é rica em fósforo, potássio, cálcio, magnésio, zinco e ferro; em ácidos graxos essenciais e em vitamina E, aquela ‘antienvelhecimento’.

Os teores desses nutrientes no baru superam os da soja, da castanha- de-caju e da castanha-do-Brasil. Tantas propriedades, mais a influência psicológica da fama, justificam o apelido de ‘Viagra do Cerrado’. Diz-se, até, que na época da safra, de julho a outubro, aumenta o número de mulheres que engravidam.

A fama é recente, já que por muito tempo o ‘Viagra do Cerrado’  se mantinha restrito aos pastos, disputado entre o gado e a fauna silvestre. Hoje é matéria-prima para dezenas de produtos, artesanais e industrializados, que chegam até a Alemanha. E opção de trabalho e renda para muitas comunidades na exploração ambientalmente sustentável.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) estuda o potencial do baru como matéria- prima de biodiesel. A madeira, muito resistente, dentre outras utilidades serve para mourão de cerca. Até o que ia para o lixo agora é aproveitado: em Pirenópolis, os resíduos do baru viraram um carvão de qualidade, com alto poder calorífico, para uso doméstico e industrial. Aprovado na fase experimental, neste ano o carvão de baru começa a ser produzido em escala industrial. Menos lixo no ambiente e mais árvores em pé.

Mas é a semente (castanha ou amêndoa) que está transformando o baru na estrela do Cerrado. O produto mais popular ainda é a castanha torrada, com ou sem sal, vendida em todo o Planalto Central e na região Norte, desde Minas Gerais até a costa atlântica do Maranhão. Em São Paulo, já está numa rede de supermercados.

Um dos preparos mais curiosos é do mousse salgado de baru, feito no Hotel Pousada Mandala. A receita é de Dione Simoneli Ruiz, esposa de José Carlos Ruiz, o seu Zé. Dione morreu há dois anos, mas as coisas boas que ela fazia permanecem no paladar do seu Zé. O mousse leve é servido no café da manhã, para ser acompanhamento de pães e torradas, mas pode ser servido a qualquer hora do dia, em uma festa em casa, como entrada de um jantar ou no café da tarde.

Além do valor culinário, a ‘castanha do Cerrado’ tem valor medicinal, em algumas comunidades é usada contra reumatismo e como reguladora da menstruação, mesmo sem comprovação científica. A fama mais comum, em todas as regiões, é claro, a de afrodisíaco. Pode ser pelo gosto semelhante ao do amendoim — os dois são da família das leguminosas. Certo, mesmo, é que o baru é poderoso revigorante, graças às suas propriedades nutricionais.

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