Do fundo do baú

 em Colunistas de Pirenópolis

[dropcap]O[/dropcap]utro dia, no trabalho, começaram a conversar sobre tempos de criança. Um contou que nasceu e cresceu na capital paulista, sempre teve o que fazer nos finais de semana. Contou sobre a vida social e cultural agitadas, sobre as idas ao shopping para comer sanduíches e fazer compras.

A outra colega falou também que nasceu em Brasília e de lá só saiu depois de casada. Vida corrida a do Distrito Federal, mas com boas coisas para se fazer. Ela disse que sentia falta da cidade grande, uma vez que Goiânia, pra ela, nem parecia uma capital.

De outro lado, a moça disse que nasceu em Goiânia mesmo. Também contou sobre idas e vindas ao shopping, sobre os passeios do colégio ao cinema, sobre o apartamento e a casa sem quintal onde cresceu.

Eu, de cá, terminando de escrever a matéria para o dia seguinte, dei um meio sorriso e fiquei calada. “Isso era infância?”, pensei.

Criança completa fui eu, que me criei no interior. Andava de de bicicleta com minha prima nas ruas do centro da cidade, coisa que aqui (capital goiana), seria impossível. Passei as tardes de sábado sentada nas pedras do imenso quintal da casa de minha avó paterna, na Rua Direita (quintal que, pasmem, ficava acima do nível da casa!).

Quando criança, eu comi frustas dos pés de manga plantados na rua. Comprei algodão doce e pipoca rosa na praça, na saída da missa. Fui a pé, sozinha, da casa de uma avó até a outra, em menos de cinco minutos.

Tomei café com biscoito de queijo ou bolo de fubá. Fui para a fazenda, colhi frutas no pomar, aprendi a bordar e fazer crochê, no intervalos das lições de inglês.

No final das contas, cinema e shopping não faziam parte do meu mundo quando criança, mas isso me fez ter raiz. Enquanto eles estavam presos em casa, engolindo enlatados ou gastando a infância em locais fechados, eu tinha o céu de Pirenópolis, que hoje, aliás, me faz tanta falta.

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